A MRV, maior construtora de casas populares do país, passa a disputar o mercado de imóveis industriais e comerciais – explorado por empresas como Bracor, BR Properties, Cyrela Commercial Properties e WTorre. A empresa retomou as operações da MRV LOG, subsidiária da companhia, criada em 2008, mas que não tinha destaque nos negócios. A MRV contratou um banco de investimentos para ajudar na montagem do modelo operacional e para assessorar na estruturação de capital da subsidiária – possivelmente a instituição financeira já deve criar um modelo para separação dos ativos, seguida de abertura de capital. O banco deve ajudar na avaliação de modelos de financiamentos – seja capital, divida ou uma combinação. Os recursos da MRV não serão usados para financiar os projetos. A MRV LOG já conta com cerca de R$ 200 milhões em ativos e deve ter disponíveis, ainda este ano, 70 mil m² de área bruta locável (ABL). Ao todo, são 15 projetos com mais de 500 mil m² de área para aluguel.


A MRV, ao contrário de fundos que atuam na área, não pretende fazer “build to suit” – construção financiada sob medida – ou vender os imóveis. O objetivo é criar um portólio para aluguel. A MRV LOG foi constituída em 2008 em sociedade com o fundo de investimento Autonomy. A saída do fundo, que tinha 35% da empresa de logística e 9,5% da MRV, na oferta de ações secundária realizada em julho do ano passado, deu à companhia a possibilidade de retomar o negócio livremente e com a intensidade que julga necessária. A MRV voltou a comprar terrenos para construir centros de distribuição, condomínios industriais e logísticos no começo deste ano. Só no segundo trimestre, foram gastos R$ 26,1 milhões para aquisição de novos espaços. “Vamos aproveitar a experiência que temos na prospecção de terrenos, na aprovação de grandes áreas e na construção barata para sermos os players número um do setor”, afirma Rubens Menin, presidente da MRV, empresa que quase dobrou a receita líquida no semestre, atingindo R$ 1,2 bilhão.


O lucro líquido cresceu 116% no semestre. Os galpões construídos pela MRV serão modulares, com mais de um usuário. Várias empresas de menor porte também atuam nesse modelo. A empresa já tem terrenos em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo (capital, Guarulhos, Hortolândia), Goiânia, Minas Gerais, Salvador, Recife e Fortaleza. Segundo Menin, o objetivo é usar terrenos muito grandes para uso misto: residencial, comercial (inclusive shopping centers) e industrial. A empresa já tem três terrenos – em São José dos Campos, Guarulhos e Vitória – que terão mais de uma vocação. “Só não vamos atuar no segmento de escritórios corporativos”, diz o presidente da MRV. Na opinião de Menin, a MRV LOG tem uma grande sinergia com o negócio de baixa renda. “A construção industrial é simples e parecida com a popular”, diz. Apesar das sinergias, a empresa terá independência administrativa e financeira. A equipe – presidida por Sérgio Fischer, que está desde o início do negócio e há 14 anos na empresa – tem hoje 15 pessoas. Deve chegar, no máximo, a 30 pessoas.



Fonte: Valor Econômico.